Voz-vida e performance: Walter Bandeira

A partir do projeto O(s) Fim(ns) da História – ofimdahistoria.net / ofimdahistoria.wordpress.com


Walter Bandeira (1941-2009), com sua voz, transformou sua vida em obra de arte .


A cantora paraense Leila Pinheiro, mais de uma vez, tentou levar Walter Bandeira para o Rio de Janeiro, com a perspectiva de uma carreira musical bem sucedida. Uma de suas grandes amigas, Leila Pinheiro tinha como certo o sucesso de Walter como cantor, em

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Walter Bandeira. Fonte: O Liberal – ORM – Globo. 

 nível nacional. E, no entanto, Walter não foi. Ficou aqui em Belém do Pará, com sua banda Gema, com seus amigos, com seus programas de rádio, com suas aulas e aquarelas. Com suas transas, seu cigarro, suas bebidas.

Sobretudo, com sua voz e suas performances.

Pode-se lamentar que Walter Bandeira não teve os devidos registros de sua arte, que ele não teve o reconhecimento que mereceu – ou que ele mesmo não tenha dado o cuidado necessário a sua carreira. Mas será mesmo? Será que lamentar, ou estranhar seu aparente descuido ou porralouquice, no fundo, não é ainda uma incompreensão do que era a vida, a força da vida para Walter Bandeira? Pois não era o próprio Walter Bandeira que, no que ficou de sua memória para nós, não se definia como uma “coisa”, que ria de si mesmo com um “viado”? Deboche de si mesmo? Sim, mas no fundo máscara narcísica, deliciosa, incômoda e perigosa que servia de suporte ao que ele tinha de melhor: seu poder de atuação, sua voz, o seu canto. Continuar lendo

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A beleza revolucionária de Violeta Parra

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Violeta Parra. Fonte: https://www.instagram.com/museovioletaparra/

Uma vida itinerante e inquieta, sofrida pelos romances frustrados, dedicada ao amor intenso e incondicional à arte, ao folclore e à cultura camponesa chilena. Isso é muito pouco para definir o que foi a vida de Violeta Parra, criadora de uma obra singular marcada pela sua pesquisa sobre a cultura popular chilena, pela qualidade poética de suas letras, pela doçura de sua voz.

 

Sua figura será sempre associada às suas posições políticas. Filha de um professor de música e de uma camponesa, Violeta Parra sempre deixou claro o seu comunismo em suas canções, em sua vida pessoal, em suas pesquisas históricas e artísticas. No entanto, é na beleza de suas composições que nos encontramos com o seu legado revolucionário e duradouro. Há, sem dúvida, as músicas de protesto contra as injustiças de classe, as músicas de apoio aos seus companheiros de lutas, como camponeses, operários e estudantes, nas quais se vê mais claramente as marcas mais ideológicas de sua produção. Mas sua produção mais tardia, mais próxima de sua trágica morte, ocorrida em 1967, apresenta uma poética que se destaca pela construção de seus versos e pela delicadeza e simplicidade da estrutura de suas músicas. Continuar lendo